Imobiliário comercial com perspetivas positivas para 2026 O investimento em imobiliário comercial em Portugal registou em 2025 o melhor desempenho dos últimos três anos e entra em 2026 com perspetivas de crescimento sustentado, impulsionado pela escassez de ativos de qualidade, pela solidez dos mercados ocupacionais e pelo forte interesse de investidores internacionais. A... 06 mar 2026 min de leitura Retalho lidera investimento O retalho liderou a alocação de capital, concentrando 30% do volume investido, seguido pelos escritórios (25%) e pela hotelaria (20%), evidenciando a diversidade setorial do investimento imobiliário em Portugal. O capital internacional manteve um papel dominante, representando 61% do total investido, com clara predominância de investidores europeus, responsáveis por 88% desse montante. Para Paulo Sarmento, Head of Portugal da Cushman & Wakefield, os números confirmam a resiliência do setor. “O desempenho de 2025 confirma que o mercado imobiliário português continua num ciclo claramente positivo. A combinação entre liquidez, confiança dos investidores, fundamentos ocupacionais sólidos e melhores condições de financiamento criou um contexto muito favorável ao investimento.” Escassez de oferta condiciona escritórios No mercado de escritórios, Lisboa registou uma ligeira redução da absorção face ao ano anterior, explicada sobretudo pela escassez de oferta de espaços de elevada qualidade. Apesar disso, as taxas de desocupação mantiveram-se em níveis muito baixos, enquanto as rendas prime continuaram a crescer, atingindo um novo máximo histórico na zona CBD prime da capital. No Porto, a atividade foi mais moderada, embora o relatório antecipe sinais de recuperação em 2026, à medida que novos projetos de maior qualidade forem concluídos e disponibilizados no mercado. Retalho resiliente, logística continua limitada O segmento de retalho voltou a demonstrar forte resiliência. Nas localizações prime de comércio de rua em Lisboa e no Porto, a disponibilidade de espaços manteve-se extremamente reduzida, contribuindo para a subida das rendas. Os centros comerciais continuaram a apresentar níveis robustos de vendas e afluência, enquanto os retail parks reforçaram o seu posicionamento como um dos formatos mais dinâmicos do mercado, concentrando a maioria da nova oferta atualmente em desenvolvimento. No setor industrial e logístico, a absorção registou uma descida face ao pico observado em 2024, mas a procura continuou superior à oferta disponível, sobretudo no caso de ativos modernos, eficientes e alinhados com critérios ESG. Esta escassez de produto de elevada qualidade manteve a pressão sobre as rendas prime, que continuaram a crescer tanto em Lisboa como no Porto. Residências de estudantes e senior living ganham peso A hotelaria manteve um desempenho muito positivo em 2025, apoiado no crescimento contínuo do turismo em Portugal. As receitas do setor aumentaram, refletindo a melhoria do RevPAR (rendimento por quarto disponível) e elevados níveis de ocupação. Ao mesmo tempo, a nova oferta concentrou-se sobretudo nos segmentos de quatro e cinco estrelas, contribuindo para a qualificação da oferta turística nacional. O pipeline de novos projetos permanece robusto, sustentando o interesse continuado dos investidores neste segmento. Nos segmentos de living, as residências de estudantes continuam a apresentar um forte desequilíbrio entre oferta e procura. Apesar da entrada de novas camas no mercado, Portugal mantém rácios significativamente abaixo da média europeia, o que tem sustentado aumentos relevantes das rendas, sobretudo em Lisboa e no Porto. O senior living segue igualmente uma trajetória de crescimento, embora com uma oferta ainda limitada e uma clara falta de produto moderno, fatores que continuam a atrair operadores e investidores privados. 2026: procura forte e ativos escassos Para 2026, a Cushman & Wakefield antecipa um ano globalmente positivo para o mercado imobiliário português, apoiado por um enquadramento macroeconómico favorável, pelo dinamismo do turismo e por fundamentos ocupacionais sólidos. A consultora destaca, no entanto, que a escassez de ativos bem localizados, sustentáveis e de elevada qualidade deverá continuar a ser simultaneamente um dos principais desafios do setor e um dos seus maiores motores de crescimento. “O setor entra em 2026 com fundamentos muito sólidos: ocupação forte, crescimento das rendas prime e um pipeline ainda insuficiente para responder à procura. Este desequilíbrio continuará a sustentar o interesse de ocupantes e investidores, sobretudo por ativos de elevada qualidade e estratégias de reposicionamento”, conclui Paulo Sarmento. Notícia CasaYes Partilhar artigo FacebookXPinterestWhatsAppCopiar link Link copiado